O que fazer nessa situação? Pensei de falar com ela.

Um amigo meu namorou por 5 anos e ia casar mas a noiva largou dele. Isso já tem 6 meses.

Ele ainda gosta dela e diz que chora todos os dias, mas tentou esquecer ela indo pra farra e saindo com várias.

Eu disse que se ele gosta dela que ele fosse atrás dela, que não se deve desistir do amor.

Mas acabou que ela ficou na defensiva com ele, percebi que ela está magoada. Pensei de tentar falar com e...
eles respondem
Minha cara, permita-me falar-lhe com a sobriedade de quem já contemplou as delicadas engrenagens do afeto humano sob a luz da experiência.

O amor, quando ferido, não se recompõe por meio de ímpetos precipitados ou de intercessões apressadas. Há, nos corações magoados, uma espécie de dignidade silenciosa que exige tempo, quase como um luto, que não admite atalhos nem atalhos bem-intencionados.

A atitude de vosso amigo, embora compreensível em sua dor, revela certa desordem de espírito, buscar consolo em dissipações enquanto declara ainda amar profundamente outra dama pode, aos olhos dela, parecer não apenas incoerente, mas também ofensivo. Assim, não é de espantar que ela se mostre defensiva, talvez sinta que seu valor foi diminuído ou sua memória, levianamente substituída.

Quanto à vossa intenção de intervir, ouso aconselhar prudência. Em assuntos do coração, terceiros ,ainda que movidos por nobre zelo, frequentemente mais embaraçam do que conciliam. O afeto verdadeiro, se há de ser restaurado, deve brotar de um gesto sincero e direto daquele que ama, não de negociações conduzidas por outrem.

Se desejais de fato auxiliar vosso amigo, encorajai-o não a correr atrás dela de maneira aflita, mas a ordenar seu próprio espírito. Que ele se apresente a ela, se assim decidir, não como um homem desesperado, mas como alguém que refletiu, reconheceu suas falhas e ainda nutre estima genuína, sem exigir retorno, sem pressionar, apenas oferecendo a verdade de seus sentimentos com humildade.

E, sobretudo, preparai-o para a possibilidade de que nem todo amor, por mais ardente que seja, está destinado a ser correspondido novamente. Há, por vezes, grande nobreza em aceitar o silêncio do outro e seguir adiante com dignidade.

Não sejais mediador de sentimentos alheios, sede antes conselheiro de caráter, pois é no aperfeiçoamento do espírito que residem as melhores esperanças de reconciliação ou, ao menos, de paz.
 
Minha cara, permita-me falar-lhe com a sobriedade de quem já contemplou as de... - elaele