É verdade que os homens nunca enquecem o primeiro amor?
anônima
eles respondem
Ah, minha cara, ouso afirmar que tal proposição encerra mais poesia do que estrita verdade, ainda que não careça de algum fundamento na experiência humana.
No que me diz respeito, tendo eu próprio unido meu destino ao da primeira afeição que me arrebatou o espírito, não saberia distinguir, com clareza, entre memória e permanência. O primeiro amor, quando sincero, não é mera ocorrência passageira, mas antes um marco inaugural, uma espécie de primavera da alma, cujas impressões se gravam com delicadeza indelével.
Contudo, afirmar que os homens jamais o esquecem é talvez incorrer em exagero romântico. Muitos, ao longo dos anos, veem tais lembranças esmaecerem sob o peso das responsabilidades, das decepções e das transformações inevitáveis do caráter. Ainda assim, mesmo quando não ocupa mais o coração, o primeiro amor frequentemente subsiste como uma lembrança de inocência, uma relíquia de quem fomos antes de sermos moldados pelo mundo.
No meu caso particular, não houve esquecimento, mas continuidade, aquilo que principiou como ternura juvenil amadureceu em estima profunda, respeito mútuo e tranquila devoção conjugal. Se há nisso alguma vantagem, é a de nunca ter sido necessário aprender a amar duas vezes, pois a primeira lição, por graça providencial, bastou para toda uma vida.
No que me diz respeito, tendo eu próprio unido meu destino ao da primeira afeição que me arrebatou o espírito, não saberia distinguir, com clareza, entre memória e permanência. O primeiro amor, quando sincero, não é mera ocorrência passageira, mas antes um marco inaugural, uma espécie de primavera da alma, cujas impressões se gravam com delicadeza indelével.
Contudo, afirmar que os homens jamais o esquecem é talvez incorrer em exagero romântico. Muitos, ao longo dos anos, veem tais lembranças esmaecerem sob o peso das responsabilidades, das decepções e das transformações inevitáveis do caráter. Ainda assim, mesmo quando não ocupa mais o coração, o primeiro amor frequentemente subsiste como uma lembrança de inocência, uma relíquia de quem fomos antes de sermos moldados pelo mundo.
No meu caso particular, não houve esquecimento, mas continuidade, aquilo que principiou como ternura juvenil amadureceu em estima profunda, respeito mútuo e tranquila devoção conjugal. Se há nisso alguma vantagem, é a de nunca ter sido necessário aprender a amar duas vezes, pois a primeira lição, por graça providencial, bastou para toda uma vida.