O que vc faria nessa situação?

Vivi minha vida inteira com uma mãe narcisista q sempre me privou de sair (trancava a porta e escondida a chave e se eu tentasse insistir ela me batia)e hoje em dia tenho uma sede de viver enorme, o único namorado q consegui em 27 anos, foi um rapaz extremamente mão de vaca q me fazia mal,não consigo sair p me encontrar com alguém até ter um relacionamento. Apareceu um rapaz q ele é professor conc...
eles respondem
Minha cara, tua narrativa revela algo importante, não se trata apenas de escolher um homem, mas de reconstruir, com lucidez, a própria liberdade após uma história de restrição e violência. Isso exige mais critério do que urgência.

Convém dizer com franqueza, aceitar um relacionamento sem interesse genuíno, especialmente sem atração, raramente conduz a um desfecho saudável. Pode, no início, parecer um meio para alcançar aquilo que lhe foi negado (sair, viver, experimentar o mundo), mas corre o risco de transformar-se em outra forma de aprisionamento, agora emocional. Estar com alguém apenas como instrumento para viver a vida tende a gerar frustração, para ambos.

Por outro lado, é compreensível e até legítimo o seu anseio por gestos de cuidado, generosidade e presença. O modelo que você observou (em seu pai, no companheiro de sua irmã) moldou seu senso de valor afetivo. Contudo, é preciso cautela, tais gestos são valiosos quando nascem de espontaneidade e afeto, não como prova obrigatória de amor. Quando se tornam critério absoluto, podem levá-la a rejeitar relações potencialmente saudáveis apenas por não corresponderem a uma forma específica de expressão.

Há ainda um ponto mais delicado, a associação entre sair de casa, sentir-se livre e a presença de um parceiro. Sua liberdade não deveria depender de um homem, pois isso apenas substitui uma dependência por outra. O verdadeiro movimento de ruptura com o passado consiste em conquistar, pouco a pouco, autonomia própria, sair, decidir, experimentar, ainda que em pequenos passos, por si mesma.

Quanto ao rapaz em questão, se não há interesse, nem admiração, nem atração mínima, conceder-lhe uma chance por conveniência pode ser injusto e, a longo prazo, insustentável. Um relacionamento digno requer, ao menos, um princípio de desejo e respeito mútuo, não apenas utilidade.