Escrevo-te como quem, com as próprias unhas, rasga a terra que há de lhe servir de sepulcro. Amar-te é um pacto lúcido com minha ruína. sei-me perdido, e ainda assim caminho para o abismo como quem segue uma estrela fatal. Há mácula na pureza com que te desejo, uma culpa que não implora perdão, mas exige perpetuação. Quando tua imagem me assalta, não é ternura que me visita, mas vertigem: estou à beira de altas ameias, e o vento sussurra que a queda é doce. Tu não és porto nem repouso, és chama indomável. E eu, em vez de água, ofereço-te gasolina, para que mais alto arda o meu próprio fim.