A margem de lucro de supermercados é baixíssima (normalmente entre 3~5%). Mercados tem escala, muita escala, mas o que sobra dali é pouco, por isso pagar altos salários é algo complicado, porque isso eleva toda a folha de pagamento. Se você tem um supermercado com 30 funcionários que cuida da parte de operação (um exemplo), não é só aumentar o salário de um cara, mas você terá que aumentar a folha de pagamento desses 30, entende o dilema? Ao aumentar o salário de toda essa galera, o imposto que a empresa deve pagar ao governo também aumenta, então algo que começa pouco, vira um gasto enorme.
Uma coisa é ter gastos pontuais (marketing, rescisão, contratação), outra coisa é você aumentar o gasto corrente da tua empresa. É por isso que muitas vezes, a empresa prefere ficar contratando e demitindo do que simplesmente aumentar salário, porque dali vira um gasto obrigatório, e manter isso por um tempo pode ser prejudicial para o caixa da empresa, e o caixa de qualquer empresa é o coração do negócio.
Um exemplo bobo para você entender. Supondo que você fique doente, o que é melhor, tomar um remédio de 200 reais num único comprimido, ou tomar vários comprimidos todos os dias por 3 meses custando 5 reais cada? Além de ser improdutivo você tomar remédio todo santo dia, no fim das contas, lá na frente, o gasto vai ser maior do que você dar agora 200 e se livrar do teu problema de uma vez por todas.
A questão do salário é um problema não só do empregador, mas é um mix do funcionário e também do governo. Ninguém chega numa empresa ganhando muito, salvo raras exceções. Você cresce, ganha confiança e passa a ganhar mais com o tempo, conforme avança de cargo.
E sobre a função de base, isso é um problema do governo, pois é O GOVERNO QUE DEFINE SALÁRIO-MÍNIMO, e também, É O GOVERNO QUE DECIDE O VALOR DA MOEDA QUE VOCÊ VAI USAR.
Ganhar muito ou ganhar pouco não é só em termos nominais, alias, NUNCA É.
Ganhar 800 em EUROS é melhor do que ganhar 2 mil em REAIS.