Uso predominantemente tecidos naturais, porque, convenhamos, meu corpo não foi feito para derivados de petróleo. Algodão peruano, lã, linho, seda e couro fazem parte do meu cotidiano.
O poliéster existe, claro, mas apenas por necessidade biomecânica: é exclusivo para exercícios físicos e permanece rigorosamente segregado no guarda-roupa, quase como uma ala de contenção. Também é lavado separadamente, com todos os rituais necessários para evitar que retenha odores e, Deus nos livre, contamine tecidos nobres.
Meu guarda-roupa, aliás, não é um móvel, é um projeto. Foi feito à mão por mim, em madeira maciça de nogueira, porque MDF, como todos deveriam saber, retém umidade, odores e ainda tem a audácia de atrair insetos.
Cerca de 90% do meu vestuário é alfaiataria sob medida, produzida por um alfaiate de aproximadamente 60 anos, com 45 anos de profissão. Cada peça é planejada, cortada e costurada exclusivamente para o meu corpo. São únicas, como convém. Eu mesmo escolho o material e a origem: algodão peruano, linho argentino, lã austríaca, seda chinesa. Não por ostentação, claro mas por coerência estética, histórica e moral.