Segunda-Feira, cheguei no trabalho, como faço há pelo menos, sei lá, uns 10 anos. E como faço toda segunda, bati o ponto, passei o crachá, conversei com o mesmo porteiro que agora uma senhora calvície possui. Fui para a mesma copa, tomar o mesmo café, lá encontrei o colega de trabalho que eu veja, há, uns 10 anos. E conversamos:
Disse “bom dia”. Eu disse “bom dia”.
Perguntou do meu fim de semana. Eu respondi “tranquilo”. Perguntei do dele. Disse “tranquilo também”.
Enquanto falávamos, eu pensava que não queria saber, e sabia que ele também não queria.
Ele pensava que eu não me importava, e sabia que ele tampouco se importava.
Mas sorrimos, como se fosse importante.
Bebemos café em silêncio.
Pensei em dizer: “não precisamos disso”. Ele provavelmente pensou a mesma coisa.
Nenhum de nós disse nada.
Voltamos para as mesas, satisfeitos por termos cumprido o papel.
E exaustos, por sabermos que na manhã seguinte encenaríamos a mesma cena.
E encenamos.