Sinto às vezes uma espécie de injustiça: faço tudo que, em teoria, um homem decente
deveria fazer: trabalho, lealdade, honestidade, sou Nice Guy, e ainda assim permaneço invisível no mercado afetivo. É como se o algoritmo silencioso do desejo humano operasse por regras diferentes das que nos ensinaram, premiando espécimes duvidosos enquanto rejeita o sujeito que tentou jogar corretamente. E daí surgem essas pequenas distorções sociais, quase tragicômicas: famílias improvisadas, crianças sem pai, e a sensação incômoda de que alguma engrenagem da ordem natural está girando ao contrário.