05/03/2026 21h25

Por alguns anos eu fui ateu. Dos meus 12 aos 15 anos eu era do

tipo de ateu que encontra aqui, tipo aquele usuário Leandro. Ateuzinho ignorante e soberbo que se acha melhor que os outros, que xinga os crentes (com a diferença que eu tinha 12 anos e ele deve ter 40, né). Passava o dia debatendo religião, ao ponto de me tornar um militante ateu, ou seja, alguém que pregava o ateísmo e tentava converter, seja por argumentos, seja por memes, cristãos a pensarem com a minha ótica ateísta.

Aos poucos fui me afundando em filosofia pessimista, existencialista, niilista, que prega a não-existência, o não-progresso, o pessimismo mórbido. Lia Schopenhauer ad nauseum, tentava ler Nietzsche. A escrita do Schopenhauer me hipnotizava. E consequentemente cheguei a conclusão (antes de ler o Míto de Sísifo) de que se avida é apenas matéria sob a origem do acaso, e que não existe um plano metafísico após a morte, a dor da existência era uma escolha, uma optativa, algo que eu poderia continuar ou não (com a opção de cessar a dor através do suicídio). Toda essa absorção de ideais e pensamentos durante a adolescência me destruiu por completo.

Afastado de Deus, com pensamentos ruins na cabeça, contaminado por ideias terríveis, eu passei uns bons anos deprimido, pensando em suicídio, fazendo cálculos matemáticos sobre quanto os ativos e os débitos da vida não batiam. Eu não me sentia motivado a ir para escola, ou andar de skate, ou pegar meninas.

Bom, resumindo a história radicalmente porque ficou mais longa que eu gostaria: quando cheguei por volta dos 20 anos de idade eu pedi diversos sinais de que Deus ainda estava comigo, e que havia perdoado minha revolta, que ainda acreditava que eu pudesse dar um passo diante do senhor e falar: senhor, tu viste, eu não sou mais fraco em espírito, não sou mais covarde. Agora sou forte em perseverança, forte em meu caminho, forte em suportar qualquer sacrifício. E Deus me deu sinais os quais reconheci como uma mão estendida para minha caminhada